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DECISÃO DE TIRO - Atitude Mental do Agente

DECISÃO DE TIRO - ATITUDE MENTAL DO AGENTE

Decisão de Tiro (atitude mental do agente)
Um dos temas que devem ser aprofundados no treinamento nas academias de polícia é a - DECISÃO DE TIRO – este tema é essencial na atividade policial e não pode ser deixado de lado ou ser tratado com menor importância.
Falemos um pouco sobre o assunto:
Entendo que a decisão de tiro, como já mencionado anteriormente é personalíssima, pois as consequências diretas recairão sobre a pessoa do agente. Neste sentido, podemos concluir que no treinamento de tiro não basta apenas ser treinada a habilidade motora e o domínio sobre o equipamento, devemos também trabalhar o psicológico e a capacidade de raciocínio rápido por parte do agente. Devemos procurar desenvolver no aluno a capacidade de raciocínio e análise rápida da situação que se enfrenta. No exato momento da ação chegará um instante em que o agente deverá ter a sensibilidade de se questionar e decidir: atiro ou não atiro? Somente o treinamento lhe dará a tranquilidade e equilíbrio para realizar em milésimos de segundo, um raciocínio tão complexo.
Para poder explicar melhor a meus alunos, este momento crucial da atitude mental do agente, costumo fazer a seguinte análise: para defini-la melhor criei a seguinte fórmula de raciocínio I.O.D.A. , onde:
I – Identifica
O - Observa
D – Decide
A – Age

Estes são os passos que o raciocínio do agente deve seguir durante esta tomada de decisão, que obviamente deverá ser realizada em poucos segundos, sob pena de perder sua vida ou prejudicar sua carreira. As consequências do não emprego deste raciocínio podem levar a ação aos seguintes resultados:
- Em caso de dúvida e consequente falta de ação, na demora da tomada de decisão por parte do agente, poderá propiciar ao criminoso a reação à abordagem. Esta reação poderá ser mortal para o agente.
- Em caso de uma análise errada poderá levá-lo a cometer uma precipitação e a realização de disparos sem necessidade, causando vitimas desnecessárias. Consequentemente cometerá um crime que lhe prejudicará em todos os sentidos.
Como podemos ver só existe um caminho: Faça o raciocínio e tome a decisão correta, caso contrário sofrerá as consequências na pele. Por isso é que afirmamos: a decisão é personalíssima. Não erre, a lei e a sociedade não admitem.
O presente raciocínio consiste em avaliar a situação da seguinte forma:
Identifica – significa que o agente deve identificar se existe ou não a ameaça. Uma vez existindo, se é real ou iminente.
Observa – observe o ambiente e localize a(s) ameaça(s), quantas são e onde estão (mais próximas ou mais afastadas em relação ao próprio agente). A seguir, dentro do mesmo raciocínio, eleja as prioridades, no sentido de que caso “decida” eliminá-las comece pela mais próxima, ou aquela que representa perigo maior. Se optar pela mais próxima, deve ser pela facilidade de alvejá-la, se optar pela de maior risco, mesmo que não seja a mais próxima, tenha certeza de que não errará o disparo. Sendo assim já deve ter em mente o deslocamento simultâneo para um local de cobertura.
Decide – nesta parte do raciocínio, após ter realizado a observação da situação, é o momento de tomar a decisão de ação. Aqui já foi feita toda a análise do fato a decisão já foi tomada “atirar” ou “não atirar”. Se optou pela primeira siga a ação descrita no item anterior. Se optou por “não atirar” siga com a voz de comando emanando os comandos que veremos mais adiante.

Agir – Somente nesta fase o agente colocará em prática a ação que decidiu nas duas fases anteriores. A ação do agente, apesar de terem sido comentadas nas duas fases anteriores, apenas por questões didáticas, devem ser colocadas em prática somente nesta fase do raciocínio. Sendo assim, sua ação deixará o mundo cognitivo e passará ao mundo real.
Todo este raciocínio pode parecer muito complexo ou muito longo para uma situação que se desenrola em poucos segundos, mas acreditem pode e deve ser feito. Somente o treinamento simulando situações mais próximas da realidade poderá dar este condicionamento mental ao agente. Simulações onde são criados ambientes e situações de confronto que obriguem o aluno a tomar estas decisões em poucos segundos são essenciais para a boa formação ou especialização do policial. O estudo de casos serve como matriz para recriar situações que envolvam este tipo de tomada de decisão.

Texto Extraido do Livro Manual de Técnicas e Procedimentos Policiais - Autor: Marcos Vinicius Souza de Souza - Policial Civil/RS
 





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