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A IMPORTÂNCIA DO DOUBLE TAP E O CALIBRE IDEAL, NA TÉCNICA DO TIRO POLICIAL

A IMPORTÂNCIA DO DOUBLE TAP E O CALIBRE IDEAL, NA TÉCNICA DO TIRO POLICIAL

A IMPORTÂNCIA DO "DOUBLE TAP" E O CALIBRE IDEAL, NA TÉCNICA DO TIRO POLICIAL

 

A técnica do "Double Tap", desde sua criação, na década de 30, por William Ewart Fairbairn e Eric A. Sykes, dois Chefes de Policia Britânicos, foi desenvolvida para compensar as limitações das munições FMJ 9mm, comumente utilizada pelos exércitos e grupos especiais. Na busca de um melhor efeito de dano no oponente buscou-se fazer uma sequência mais rápida de dois, ou mais disparos certeiros, pois assim o efeito para parar o oponente seria maior. Esta técnica é usada até hoje por grupos táticos policiais e militares, unidades de combate antiterrorismo e forças especiais. Jeff Cooper, criador da técnica de pistola de combate, na década de 70, tinha o "Double Tap", como seu carro chefe, pois dizia tirar maior ganho de impacto, para compensar seu poder de fogo. Cooper buscando um maior efeito mortal em sua técnica acabou, por criar também, o "Mozambic Dril", pois dizia, se um "Double Tap" não fosse o suficiente, para parar o oponente, um terceiro tiro, na cabeça seria a solução. A própria evolução das armas de assalto, idealizadas para confrontos, a curta distância, submetralhadoras ou fuzis de assalto, já trazem a opção do "Burst" de dois disparos, um "Double Tap" automático. Ignorar a eficiência da técnica do "Double Tap" é puro desconhecimento das técnicas de tiro policial, das características do estudo da balística forense e terminal, dos efeitos da física e principalmente da falta de experiência e vivencia da pratica policial.

            Uma vez criado para potencializar o efeito da onda de choque, no corpo do oponente isso nos faz pensar melhor: Qual melhor calibre, para ser empregado em confrontos policiais. Usar o cal. .40 ou o 9mm?

            Recentemente informações dão conta do retorno do FBI, para a opção do calibre 9mm, entre as justificativas apresentadas estão, A profundidade da Cavidade temporária, a possibilidade de ter uma arma com um angulo de salto menor, pois possibilitaria a velocidade na retomada do aparelho de pontaria possibilitando a realização de uma sequência de tiro mais rápida e mais precisa. Por fim, seus agentes, por serem exímios atiradores, por terem um treinamento constante não teriam dificuldades de acertar um alvo, com maior precisão (grifei). 

            Na interpretação de muitos especialistas brasileiros estas justificativas são suficientes, para a policia brasileira, também optar pelo 9mm.

            Tenho outro entendimento e justifico:

            Existem ditos populares entre os atiradores e instrutores de tiro que dizem: "não importa o calibre, basta que seja colocado no lugar certo",  "qualquer calibre, se bem colocado fará o efeito desejado", sim, concordo com ambos, mas estas premissas só são verdades para um pequeníssimo grupo de Agentes de Segurança Pública, os que investem em equipamentos e os que treinam. Sabemos que a grande maioria dos Agentes de Segurança Pública não dominam seu instrumento de trabalho e o Estado não lhes oferece o treinamento necessário, seja por falta de investimento, ou por falta de técnicas adequadas. Some-se isso ao estresse do confronto e teremos um resultado negativo.

            Esta deficiência de habilidade técnica no tiro pode ser parcialmente compensada com o emprego de um calibre de mão potente somado ao emprego da técnica de tiro policial adequada. Com isso aumentamos a vantagem do emprego de determinado calibre, tirando o máximo de ganho de sua potencialidade buscando agravar os danos fisiológicos, no corpo do agressor.  Este efeito destruidor é uma das razões que opto pelo calibre .40. A soma de seu poder de impacto (transmissão de energia), combinada com a técnica de tiro policial adequada é a solução, para um bom resultado.

            Não estamos aqui querendo falar sobre o "Stoping Power" do tiro "singular", este tema esta superado, pois sabemos que este, só existe um, o "Stoping Power ABSOLUTO" (rompimento do tronco encefálico), coisa que não é possível ser realizado, por um disparo, com armas de mão. O que me refiro é aproveitarmos as características do emprego da física, traduzida em números para escolha do calibre mais potente, somado a técnica do tiro policial, tendo como objetivo final, o acerto no centro de tórax. Traduzindo em outras palavras o "doble tap,  no centro de massa".

            Vejamos aos números:

            Como pode ser constatado o calibre .40 leva uma boa vantagem sobre os demais calibres de mão, isso já se torna motivo suficiente para sua possível escolha entre os demais. Agora somemos esta vantagem ao emprego de uma boa técnica de tiro policial, o "Doble Tap", no centro de massa. Isso nos da uma vantagem tremenda sobre os demais calibres. Claro que alguns vão dizer, "mas tudo depende dos efeitos fisiológicos de cada individuo". Com certeza que depende. Mas o que defendo não é que este "Doble Tap" ira causar uma parada definitiva no agressor, mas com certeza causará, em um primeiro momento a "DESESTABILIZAÇÃO DO ALVO", consequentemente, isso propiciará ao atirador, o que chamamos de "janela de tempo" necessária para deslocar (como forma de proteção) e decidir se efetua, uma nova sequência, ou não de disparos (double, ou triplo tap, ou até mesmo a saturação de fogo).

            Como toda a boa técnica, isso deve ser treinado. A eficácia da técnica do "Double Tap", o aproveitamento real dos efeitos de letalidade se dão com a simultaneidade, com a qual os projeteis impactarão o alvo. Sendo assim terei o resultado desejado, a desestabilização, ou parada do agressor (obvio que sua parada dependerá de diversos fatores, mas com certeza sua desestabilização virá). Por isso, esta técnica consiste na realização da sequência rápida dos dois disparos, algo como "tumtum" e não "tum...tum". Se espaçarmos os disparos dependendo da compleição física do sujeito, não haverá sua desestabilização  desejada.

            Um exemplo claro do que afirmo é aquela situação ocorrida em são Paulo, em frente a uma escola ( https://www.youtube.com/watch?v=9GAQPPAqiUI ), onde uma Policial Militar, hoje Deputada Federal efetuou dois disparos, no peito do agressor e este, já totalmente desestabilizado, ainda efetua dois disparos, mas totalmente sem direção. Ela após os disparos imediatamente desloca - e com segurança - decide que não há mais necessidade de complementar os disparos.

            Portanto, entendo que o calibre .40 é a opção mais adequada para a realidade da policia brasileira, principalmente por ser um calibre potente e, se empregado com a técnica adequada poderá aumentar a segurança dos agentes, enquanto não se alcança o nível de treinamento ideal, devido a ausência do Estado, para com as forças policiais.

 

Autor: Marcos Vinicius Souza de Souza - Policial Civil/RS, por 32 anos, Instrutor de OESPP, Autor dos Livros Manual de Técnicas e Procedimentos Policiais e Combate em Ambiente Fechado CQB-CTTE.

 

Fontes:        

- Artigo escrito no Jornal da Associação Internacional de balística da ferida, o volume de Inverno 1991; 10-13, por EJ Wolberg.

- Artigo de Sydney Vail, MD, FACS, é chefe da divisão de cirurgia do trauma e cuidados intensivos cirúrgica e diretor do programa de medicina tático no Centro Médico Maricopa, em Phoenix. Ele também é diretor médico do Tactical Trauma Immediate Response (Tac-TIR) Group, Cowtown, Peoria, AZ; diretor do Programa de Medicina SWAT Tactical para Arizona DPS; e um instrutor sênior para a Escola Internacional de Tactical Medicine.

-http://concealednation.org/2414/10/fbi-decides-on-9mm-as-their-1-choice-and-have-tons-of-scince-behind-their-decision/ttp://concealednation.org/2014/10/fbi-decides-on-9mm-as-their-

- Estudos do FBI, publicado em 180 páginas ("Violent Encounters: A Study of Felonious Assaults on Our Nation's Law Enforcement Officers.")-choice-and-have-tons-of-science-behind-th





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