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A GRANDE PROLIFERAÇÃO DE INSTRUTORES DE TIRO NO BRASIL

A GRANDE PROLIFERAÇÃO DE INSTRUTORES DE TIRO NO BRASIL

A GRANDE PROLIFERAÇÃO DE INSTRUTORES DE TIRO NO BRASIL

 

A instrução encanta os menos desavisados. Esta frase tem um grande significado. Principalmente nos dias atuais, onde vemos brotar instrutores de tiro a rodo, pelo Brasil. Com certeza a instrução de tiro, no meio civil e policial é preocupante, pois temos visto muitos aventureiros que acabaram de realizar um curso de instrutor de 80 horas e saem por ai ministrando o absurdo. No meio policial basta fazer um curso de Operações Especiais, ou ter um bom QI que ja esta em condições de ser nomeado Instrutor de Tiro. Ser um bom profissional de segurança pública, ou atirar bem não significa que estas características são suficientes para ser um bom instrutor, que dirá um excelente instrutor. O desrespeito as regras universais  básicas é inadmissível. Dominar habilmente o que se ensina é dever do instrutor. Pedir para o aluno fazer o que nem o instrutor consegue fazer, ou, se quer explicar didaticamente torna-se perigoso, quando se lida com armamento.

Para quem quer começar nesta carreira a monitoria é a porta de entrada. Anos de monitoria lhe fará um bom instrutor, pois só o tempo lhe tornará um excelente instrutor. Só a boa vontade não basta, na instrução de habilidade no tiro, tens que ter a persistência na busca do conhecimento até conseguir entender a essência dos seus fundamentos. Aprender a ler um alvo e neste explicar para o aluno qual o fundamento que ele esta errando não é da noite para o dia que se aprende. Isso leva anos. Para chegar a este estagio tens que passar por todos os outros, degrau por degrau. Quando você, ao ler um alvo, entender o porque o tiro puxa para um dos lados, ou para baixo e souber indicar ao aluno qual o fundamento que ele errou, e na seqüência seguinte vê-lo corrigir e acertar na mosca, ai sim você entenderá o que é ser um instrutor de tiro.

Elaborar exercícios proveitosos que possam exigir do aluno seu máximo em habilidade e concentração é o ideal. Trazer os exercícios de tiro policial o mais próximo da realidade possível, para o policial é o ideal. Desenvolver no aluno habilidades e domínio do equipamento é o ideal. Tudo isso pode e deve ser feito sempre dentro dos mais rígidos padrões universais de segurança que exigem os treinamentos, com emprego de arma de fogo.

Internacionalmente o treinamento envolvendo armas de fogo seguem regras rígidas que vigoram em qualquer modalidade, seja no tiro comercial, esportivo, policial ou defensivo. Em qualquer modalidade existe uma regra que é INDISPENSÁVEL, INDISCUTÍVEL e principalmente INEGOCIÁVEL, porque deve estar intrinsecamente ligada a qualquer um que tenha vontade de empunhar uma arma, seja para pratica de esporte, autodefesa ou como instrumento de trabalho. Estamos falando da SEGURANÇA e CONTROLE DE CANO. Tentar burlar esta regra por exibicionismo ou negligencia só trará descrédito, para o instrutor ou para a instituição, sem falar nas complicações para o atirador.

Arriscar a própria vida durante uma instrução de tiro chega a ser insano. Cenas como a vista na semana passada protagonizadas por um instrutor que passeia em frente aos alunos enquanto estes efetuam disparos no alvo, são de uma irresponsabilidade tremenda. Justificá-las como sendo ideal para trazer o treinamento mais próximo da realidade é o maior dos absurdos que já ouvi, pois no treinamento policial o estresse se cria com situações diferentes da apresentada.

Por vezes circulam na internet alguns  vídeos onde integrantes de grupos táticos (policiais ou militares) de alto rendimento realizam demonstrações, com tiros disparados na direção de seus próprios integrantes. Mesmo entre estes grupos não há um consenso universal de que estes treinamentos são corretos, ou se trazem algum benefício para o desempenho de seus integrantes. Imaginem fazer isso com um grupo que visivelmente, não são altamente treinados, basta observar suas posições de tiro, não são únicas. Apresentam uma clara dificuldade em sanar panes e seus movimentos por vezes são equivocados.

O instrutor colocar-se em risco durante uma instrução, para testar a habilidade do aluno que acaba de aprender uma técnica de tiro é inaceitável e inadmissível, pois com certeza ele não vai gostar quando perceber que o aluno não assimilou bem a técnica.  Não consigo imaginar algo de proveitoso em um exercício destes, pois um erro será destruidor para todas as partes envolvidas, o instrutor, o atirador e para a instituição. Evitemos correr estes riscos e preservemos as regras de segurança.

 

Autor: Marcos Vinicius Souza de Souza

Policial Civil/RS Instrutor de Tiro e de OESPP.

Fundador do CTTE

 





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